7 Lições Budistas que podem transformar a sua visão sobre a vida

fevereiro 4, 2018 Off Por O Martelo de Nietzsche

“Ao encontrarmos na vida de homens santos aquela calma e bem-aventurança que descrevemos apenas como a florescência nascida da constante ultrapassagem da Vontade, vemos também como o solo onde se dá essa floração é exatamente a contínua luta com a Vontade de vida”  Schopenhauer, O Mundo Como Vontade e Como Representação.

O budismo tem semelhanças incríveis com o pensamento de Schopenhauer e algumas aproximações com a filosofia de Nietzsche, no que tange à afirmação da vida e a valorização do presente. Schopenhauer foi muito influenciado pelo pensamento oriental, ele usou muitas das ideias do hinduísmo e do budismo para desenvolver melhor os seus conceitos.

A principal questão abordada no Budismo é o sofrimento, isto é, a dor. Em Schopenhauer vemos também essa preocupação. De onde vem a dor? Por que sentimos dor? É possível fazer cessá-la? Para todos os efeitos, Schopenhauer vê a dor como resultado da falta, uma falta insaciável que nunca é preenchida.  Por exemplo: temos sede, temos fome, frio, desejos sociais, amorosos etc… Viver é sinônimo de querer, no entanto querer é a busca por preencher a falta, falta esta que nos constitui.

O Budismo tem muito a nos ensinar, por isso, trouxemos  7 pensamentos que podem realmente transformar as nossas vidas, é claro, se forem colocados em prática.

1. Viva com compaixão

A compaixão(não no sentido cristão) é uma das qualidades mais reverenciadas no budismo, a grande compaixão é um sinal de um ser humano altamente realizado.

A compaixão não ajuda apenas o mundo em geral, segundo o budismo ela pode transformar sua vida em uma série de questões.

A auto-compaixão é completamente crítica para encontrar a paz dentro de você mesmo. Ao aprender a se perdoar e aceitar que você é um ser humano que comete erros, você  estará abrindo um caminho para curar feridas profundas, superando desafios difíceis.

Muitas vezes podemos somos  perturbados pelo fato de não entendermos completamente, por que as pessoas fazem certas coisas e nos aborrecem com frequência.  Podemos aprender que a compaixão é entender o bem básico em todas as pessoas que estão à nossa volta, sobretudo, o nosso bem básico, isto é, a nossa paz.

Mas, ainda mais do que isso, expressar compaixão é o próprio ato de se conectar de todo o coração com os outros, portanto, se conectar dessa maneira pode ser uma grande fonte de alegria para nós, em outras palavras: seja leve.

Os motivos para praticar a compaixão são numerosos e poderosos. Procure viver de uma maneira que você trate todos que você conhece como você mesmo. Uma vez que você começa a tentar fazer isso, o ato de ser compassivo parecerá completamente possível.

2. Conecte-se com os outros e alimente essas conexões

No budismo, uma comunidade de praticantes é chamada de “sangha”. Uma sangha é uma comunidade de monges, freiras, leigos e leigas que praticam ideias afins em harmonia, independente de crenças, todos com um “objetivo em comum. Unidos para realizarem um despertar, não só para eles, mas para todos os seres humanos que estão à sua volta.

A sangha é um princípio que grande parte do mundo pode se beneficiar grandemente. As pessoas se reúnem em grupos o tempo todo, unidos para alcançar a paz na convivência coletiva, a felicidade e a realização de maior sabedoria e autoconhecimento.

O princípio da sangha pode ser expressado de muitas maneiras. A sangha é, em última análise, apenas uma maneira de olhar para a vida, por meio da lente das “expressões” individuais da totalidade. Todos somos um.

Ao viver de uma forma que você está plenamente consciente do poder de se conectar com os outros, seja uma pessoa ou um grupo de 100, e buscando nutrir esses relacionamentos da maneira apropriada, você pode transformar sua vida de maneira muito significativa. Entenderá que você não está desconectado de ninguém. Todos de alguma maneira contribui para o seu crescimento pessoal, até mesmo aquelas pessoas que te desagrada.

3. Acorde para a vida. Acorde para quem você é

Um dos pontos mais poderosos destas lições, o poder de simplesmente viver de uma maneira que você está completamente acordado em cada momento de sua vida. Alan Watts dizia que: “acordar para quem você é requer desapego de quem você pensa ser”. Quais são as suas percepções sobre você mesmo? Elas são reais ou apenas o que você pensa que você seja?

Tenha atenção plena às suas debilidades, erros e acertos, maior consciência na convivência coletiva, respeito ao diferente, olhar crítico para as suas próprias ideias,  atenção a tudo o que você quer chamar de bom ou ruim. Parece complicado, mas é simples.

Esforce-se para viver completamente acordado para cada momento de sua vida diária e superar suas maiores lutas pessoais, encontrar uma grande sensação de paz e alegria e perceber as maiores lições que a vida pode ensinar a você como resultado de viver completamente acordado no momento presente.

4. Viva profundamente

Para viver profundamente, de forma que você se tenha tornado consciente da preciosa natureza da vida, é preciso começar o caminho da verdadeira paz e felicidade nas coisas simples.

Por quê? Porque viver dessa maneira é gradualmente tomar consciência da verdadeira natureza do mundo. Isso acontecerá essencialmente em “seções” de compreensão do todo em volta de você, como a realização de sua interligação (você começa a ver como tudo está conectado a todo o resto) e impermanência (você começa a ver como tudo está mudando sempre, morrendo constantemente, apenas para renascer em outra forma).

Tudo morre, tudo nasce, tudo renasce em outra forma.

Essas realizações são o pão e a manteiga do budismo e toda a prática espiritual ética dessa filosofia incrível. Essas “seções do todo” são fragmentos da realização final, maneiras de entendermos o que não pode ser totalmente compreendido no sentido tradicional.

Ao viver de uma maneira que você procura perceber essas várias “qualidades do máximo”, você encontra paz profunda na realização do modo natural das coisas. Isso cultiva em nós a capacidade de saborear cada momento da vida, encontrar a paz mesmo nas atividades mais mundanas, bem como a capacidade de transformar suas experiências tipicamente “negativas” em algo completamente nutritivo e curador.

5. Mude-se, mude o mundo

Os budistas entendem que você dificilmente poderá ajudar o outro antes de se ajudar. Mas isso não está se referindo a ganhos  materiais. Isso se refere, principalmente ao fato de que estamos todos interligados, você ajuda a si mesmo a criar um efeito exponencialmente positivo no resto do mundo. Quando você se ajuda você ajuda o outro naturalmente.

Se você quer causar um impacto no mundo, seja impactante para você mesmo. Você não precisa fazer sacrifícios para ajudar os que estão ao seu redor. Se você fizer isso, irá dificultar sua capacidade de criar um impacto positivo.

Cuide-se e procure ser mais do que apenas uma ajuda, mas um exemplo de como viver, sem que perceba, de forma natural, você estará criando ondas de possibilidade exponencial que inspiram os outros a fazer o mesmo.

6. Abrace a morte

A morte é um “tema tabu” na sociedade ocidental. Fazemos tudo o que podemos para evitar o assunto e fingir que nem existe.

A realidade é que pensar  na morte para muitos pode ser realmente infeliz, e de modo algum nos ajuda a levar vidas melhores. Tornar-se consciente de sua própria impermanência e compreender profundamente a natureza da morte, no que diz respeito à nossa interligação são coisas que podem nos ajudar a encontrar uma grande paz nesse momento de grande sofrimento.

Em relação à realidade da morte, os monges budistas meditam com uma imagem de um cadáver, em uma profunda reflexão sobre a verdadeira natureza da morte.

Isso pode parecer um pouco intenso para você não é mesmo? Mas a verdade é que se você viver sua vida inteira agindo como se nunca fosse morrer ou ignorando sua própria impermanência, você nunca conseguirá encontrar a verdadeira paz dentro de você.

Você não precisa necessariamente meditar na imagem de um cadáver, mas simplesmente reflita  sobre a morte. O ocidente não foi educado a pensar no fim,  as pessoas estão escravizadas nas futilidades das coisas passageiras.  Pensar na morte ajuda a valorizarmos à vida presente com todos os seus momentos bons e ruins.

Uma verdadeira apreciação para a vida nunca pode ser plenamente realizada até você se encontrar cara a cara com sua própria impermanência. Quando você realmente começar a fazer isso, o mundo se abrirá para você de forma nova e profunda.

7 Trabalhe para desarmar o ego

A maneira mais fácil de resumir toda prática espiritual ética do budismo é a seguinte: a espiritualidade é o ato de entrar em contato com a realidade final ou o fundamento do ser e, como resultado, a prática espiritual ética com o mundo que vivemos é o ato de superar os obstáculos que nos impedem  de perceber isso.

O principal obstáculo no nosso caminho é o ego. O processo de desvendá-lo pode levar tempo, porque é algo que está conosco, entrelaçado conosco, há anos.

Para o budismo não existe “eu” e sim, nós. O que você chama de “eu” é apenas uma ilusão e o apego a esse ego é a maior fonte de sofrimento de  sua própria vida. É o que lhe impede de alcançar a felicidade.

Este, sem dúvida é um dos principais ensinamentos do Budismo. Existem diferentes interpretações sobre o que seria exatamente a Dissolução da Noção de Ego. A lógica é a de que tudo o que existe no mundo está interligado e é interdependente como falamos no inicio do texto. Não faz sentido, portanto, a visão dualista que normalmente temos entre “eu” e “os outros”.

Quando nós quebramos essa visão, paramos de julgar, condenar, brigar com os demais seres. Não teríamos como prejudica-los sem prejudicar a nós mesmos. E o melhor: ajudando-os, estamos ajudando a nós mesmos. Portanto: elimine o pronome “eu” de sua vida, e troque por “nós”.

Wanderson Dutch

Por: O Martelo de Nietzsche