O Estranho Mundo Assombrado por Demônios em que nós vivemos.

dezembro 25, 2017 Off Por O Martelo de Nietzsche

Carl Sagan (1934-1996)  em seu notável livro ‘O Mundo Assombrado por Demônios’,dizia que se fôssemos fazer um exame superficial da história, chegaríamos a conclusão  que nós, seres humanos, temos uma triste tendência para cometer os mesmos erros inúmeras vezes. Temos medo de tudo aquilo que é desconhecido ou de qualquer pessoa que seja um pouco diferente de nós.

Para Sagan, quando ficamos assustados, começamos a ser agressivos com as pessoas que nos rodeiam. Temos botões de fácil acesso que, quando carregamos eles, libertam emoções poderosas. Podemos ser manipulados até extremos de insensatez por políticos espertos.

Deem-nos o tipo de chefe certo e, tal como o mais sugestionável paciente do terapeuta pela hipnose, faremos de bom grado quase tudo o que ele quer – até mesmo aquelas coisas que sabemos serem inadequadas.

Sagan diz que uma das lições mais tristes da história é que nós estamos sendo enganados durante muito tempo, mas mesmo assim temos tendência a rejeitar qualquer prova de fraude que seja exposta. A sociedade está habituada ao erro, a maneira viciosa de pensar. Deixamos de estar interessados em descobrir a verdade das coisas. A fraude nos seduziu como uma mulher ou um homem sexualmente atraente. Deitou em nossa cama e nos fisgou.

É insuportável reconhecer, nem que seja para nós mesmos , que durante muitos anos nós depositamos nossa confiança a um tipo de fraude. Uma vez que damos a um charlatão poder sobre nós mesmos, quase nunca o recuperamos.

Por conseguinte, as velhas fraudes têm tendência a persistir, ao mesmo tempo que surgem outras novas,  para nos ludibriar e fazer com que de maneira voluntária, a gente permaneça na mesmice de ser o mesmo, fazendo as mesmas coisas no automático.

Como Nietzsche já havia alertado em suas obras, devemos questionar todos os valores, conhecimentos, ideias, obrigações sociais que nos foram injetadas. Conforme Sagan, a vida é apenas uma visão momentânea das maravilhas deste assombroso universo, porém, é triste que tantos se desgastem sonhando com fantasias espirituais. Esse desgaste que Carl Sagan fala, refere-se as guerras religiosas sem nenhuma lógica possível, a eterna briga pelo amigo imaginário.

O mundo verdadeiro, o mundo perfeito, isto é, das maravilhas celestiais, deve ser pensado na individualidade, é irracional brigarmos por essas questões que já deveriam ter sido superadas.

Se há ou não um Deus controlador, pouco importa, devemos nos preocupar com o nosso convívio real, kantianamente falando, com os objetos observáveis em nossa sociedade, ou seja, aquilo que é possível chegar a algum acordo social, como, por exemplo, ética e cidadania.

Para terminar essa breve reflexão, ficamos com mais um pensamento de Sagan:

A ideia de que Deus é um gigante barbudo de pele branca sentado no céu é ridícula. Mas se, com esse conceito, você se referir a um conjunto de leis físicas que regem o Universo, então claramente existe um Deus. Só que Ele é emocionalmente frustrante: afinal, não faz muito sentido rezar para a lei da gravidade!”

Por: O Martelo de Nietzsche